100 anos Semana da Arte Moderna

A Associação dos Artistas Visuais de Alagoas – AAVA e a Fundação Municipal de Ação Cultural – FMAC, com apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas – DITEAL; promovem noite de homenagem ao Centenário da Semana de Arte Moderna ocorrida no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922.
O evento acontecerá no dia 17 de fevereiro, a partir das 20 horas, no foyer do, também centenário, Teatro Deodoro, palco de inúmeras apresentações da arte modernista brasileira. Na programação de abertura apresentação do Duo Diogo Oliveira (voz-tenor) e Franklin Muniz ( piano), com canções de câmara brasileira, em seguida duas palestras, a primeira com o Professor Doutor, Artista Visual e Escritor carioca, radicado em Maceió, Francisco Oiticica Filho; e a segunda com o também carioca radicado em Maceió , o Professor Doutor, Arquiteto Urbanista e Artista Visual, Lúcio Santos, ambos irão discorrer sobre a Semana de 22 e seus ecos com abordagens distintas. Em seguida o Duo Selma Brito ( piano) e Luiz Martins ( Voz – tenor e Violino), apresentando repertório clássico do inicio do Séc. XX, com composições de Heitor Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga, entre outros, e para encerrar a noite de homenagens, o músico, Bruno Berle, ( voz e violão) apresenta um seleto repertório da Bossa Nova.
A entrada é gratuita e serão obedecidas todas as normas sanitárias em vigência.
A Semana de Arte Moderna ou Semana de 22, como ficou conhecida, é um dos marcos simbólicos mais importantes da cultura brasileira do século XX e continua viva, os ideais do movimento modernista, entre os quais o de rompimento com os padrões estéticos vigentes continuam marcantes nas mentes criativas dos artistas contemporâneos. À época, o movimento modernista foi apresentado por um grupo de intelectuais da burguesia paulista frequentadores da elite cultural francesa, hoje, 100 anos depois, quem representa esses ideais, de ausência de formalismo, ruptura com o academicismo, valorização da identidade e cultura brasileira, fusão de influências externas aos elementos artísticos nacional, utilização da linguagem coloquial e vulgar para aproximação da linguagem do povo, é, na sua maioria o artista da periferia.
O evento de 22 contou com apresentações de música e dança, recitais de poesia, exposições artísticas e palestras. Os artistas que participaram foram: Mário de Andrade (escritor), Oswald de Andrade (escritor), Di Cavalcanti (artista plástico), Heitor Villa-Lobos (compositor); Anita Malfatti (pintora); Graça Aranha (escritor); Guilherme de Almeida (poeta); Tácito de Almeida (escritor); Ronald de Carvalho (poeta); Menotti Del Picchia (poeta); entre outros, lembrando que a pintora Tarsila do Amaral, mesmo não tendo participado ativamente da Semana de Arte Moderna, pois estava na França durante o evento, é considerada uma artista símbolo do modernismo brasileiro.
O Modernismo no Brasil teve três fases distintas, a primeira a de 1922, onde surgiram as primeiras manifestações do movimento, depois a partir dos anos 30 onde surgem uma nova geração com destaques para Rachel de Queiroz, Cecilia Meireles, Érico Veríssimo, José Lins do Rego e Vinicius de Moraes e, consolidando o movimento, surge a geração de 1945, com nomes como o de Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. Mesmo o movimento ter começado em São Paulo, com grandes polêmicas pelas propostas inovadoras, irreverentes e contestadoras, causou grande impacto e ecoou pelos quatro cantos influenciando a arte e a cultura brasileira. Esses ecos também reverberaram em Alagoas e, de forma positiva, contribuiu para construção e fortalecimento da sua cultura popular, hoje, com grande diversidade e características próprias incorporando elementos do modernismo.

Hugo Taques Ascom e Vice-presidente da AAVA.