Caixa de texto: COMUNICAÇÃO DE RISCO
REDE CIEVS
Caixa de texto: Secretaria de Vigilância em Saúde | Ministério da Saúde	Número 20 | 26.11.2021

APRESENTAÇÃO

A Comunicação de risco tem como objetivo apoiar na divulgação rápida e eficaz de conhecimentos às populações, parceiros e partes intervenientes possibilitando o acesso às informações fidedignas que possam apoiar nos diálogos para tomada de medidas de proteção e controle em situações de emergência em saúde pública.

COMUNICAÇÃO DE RISCO

Nova variante para SARS-CoV-2 identificada na África do Sul

Descrição do evento: Em 25 de novembro foi emitido alerta, pelo Ministério da Saúde da África do Sul, sobre nova variante para SARS-CoV-2, linhagem B.1.1.259. A detecção no dia 23 de novembro pela vigilância laboratorial referente a amostras de 12-20 de novembro na província de Gauteng, África do Sul. O expressivo aumento de casos entre as Semanas Epidemiológicas de 44 a 46 em Tshwane detectados por PCR, identificou nova variante, com mais de 30 mutações na proteína S, a partir do sequenciamento completo. Houve aumento de casos em várias províncias do país.

Ações realizadas: Comunicação às áreas técnicas da GT-COVID-19, CGLAB, SECOVID, Anvisa, Rede CIEVS e RENAVEH e está em monitoramento pelo CIEVS Nacional.

  Introdução                                                                                         

As variantes de SARS-CoV-2 foram detectadas, por meio de inteligência epidêmica, triagem de variantes genômicas com base em regras ou evidências científicas preliminares, como potenciais variantes que podem representar um risco futuro, mas a evidência de impacto fenotípico ou epidemiológico não está clara no momento, exigindo monitoramento aprimorado e avaliação repetida até novas evidências.

A variante B.1.1.529 foi identificada no dia 23 de novembro de 2021 na África do Sul, e no dia 25 de novembro de 2021 foi emitido alerta sobre nova linhagem que contém mais de 30 mutações na proteína Spike, que é a principal proteína do SARS-CoV-2, que é o alvo principal das respostas imunológicas dos organismos (Figura 1). Essas mudanças foram encontradas em variantes como Delta e Alfa e estão associadas à infecciosidade elevada e à capacidade de evitar anticorpos bloqueadores de infecção.

Figura 1. Mutações da variante B.1.1.529 na África do Sul e Hong Kong

Fonte: Entrevista do Ministro da Saúde da África do Sul https://www.youtube.com/watch?v=Vh4XMueP1zQ ;

Os potenciais impactos das mutações apresentadas na variante B.1.1.529 estão relacionadas

a:

  • Múltiplas mutações RBD e NTD associadas à resistência a anticorpos neutralizantes (e anticorpos monoclonais terapêuticos)
  • Aglomerado de mutação (H655Y + N679K + P681H) adjacente ao local de clivagem S1 / S2 – associado a uma entrada mais eficiente na célula – transmissibilidade aprimorada deleção de nsp6 (∆ 105-107) – semelhante à deleção de Alfa, Beta, Gama, Lambda – pode estar associada à evasão da imunidade inata (antagonismo de interferon) – também pode aumentar a transmissibilidade
  • Mutações R203K + G204R no nucleocapsídeo – ver em Alfa, Gama, Lambda associadas a infecciosidade aumentada

A vigilância observou um aumento de casos na província sul-africana de Gauteng – Joanesburgo, especialmente em novembro, nas escolas e entre jovens (n=77, entre 12 e 20/11/2021) (Figura 2). As mudanças do perfil epidemiológicos foram diagnosticadas por PCR e posteriormente sequenciamento genômico. A rápido aumento da circulação da nova variante

B.1.1.529 foi observado na oportunidade de realização de exame nas províncias da África do Sul com apoio de parceiros (Figuras 3 e 4).

Figura 2. Mudança do cenário epidemiológica da África do Sul

Fonte: Entrevista do Ministro da Saúde da África do Sul https://www.youtube.com/watch?v=Vh4XMueP1zQ ;

Figura 3. Mudança do cenário epidemiológica da África do Sul

Fonte: Entrevista do Ministro da Saúde da África do Sul https://www.youtube.com/watch?v=Vh4XMueP1zQ ;

Figura 4. Mudança das variantes circulantes na África do Sul

Fonte: Entrevista do Ministro da Saúde da África do Sul https://www.youtube.com/watch?v=Vh4XMueP1zQ ;

Atualmente, no GISAID existem 66 isolados registrados distribuídos entre 58 África/Gauteng; 6 África/Botswana; 2 Ásia/Hong Kong. Os dados do Ministério da Saúde da África do Sul apresentam, até o momento, 77 casos localizados na província da Gauteng, mas acredita-se que os casos possam estar nas demais províncias devido ao aumento de casos exponencialmente.

Em função dos resultados da variante B.1.1.259, o Ministério da Saúde da África do Sul solicitou agendamento de reunião junto a OMS com expectativa de realização no dia 26 de novembro de 2021, para classificação da nova variante e proposição de estudos epidemiológicos e laboratoriais para avaliar e confirmar os potenciais impactos fenotípicos (por exemplo, uma mudança na transmissibilidade ou uma diminuição na capacidade dos anticorpos de bloquear o vírus e a resistência a anticorpos neutralizantes – anticorpos monoclonais terapêuticos).

Definição de caso de VOI /VOC                                                                                                  

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu critérios para classificação de variantes de interesse e atenção/preocupação (VOI/VOC) (Quadro 1). A definição da inclusão da variante

B.1.1.259 como VOI ou VOC será definida na reunião do 26 de novembro de 2021.

Quadro 1. Critérios e classificação das variantes da SARS-CoV-2 pela OMS.

ClassificaçãoCritérios
Variantes de Interesse (VOI)Uma variante do SARS-Cov-2: Com alterações genéticas que são previstas ou conhecidas por afetar as características do vírus, como transmissibilidade, gravidade da doença, escape imunológico, escape diagnóstico ou terapêutico; E Identificado por causar transmissão comunitária significativa ou múltiplos clusters de covid-19, em múltiplos países com prevalência relativa crescente juntamente com o aumento do número de casos ao longo do tempo, ou outros impactos epidemiológicos aparentes para sugerir um risco emergente para a saúde pública global.
Variantes de Preocupação (VOC)Uma variante do SARS-CoV-2 que atende à definição de VOI e, por meio de uma avaliação comparativa, demonstrou estar associada a uma ou mais das seguintes alterações em um grau de significância para a saúde pública global: Aumento da transmissibilidade ou alteração prejudicial na epidemiologia da covid-19; OUAumento da virulência ou alteração na apresentação clínica da doença; OUDiminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou diagnósticos, vacinas, terapêutica disponíveis.

Fonte:     COVID-19      Weekly     Epidemiological      Update      Edition      64,      publicado  09     de                 novembro     de              2021,                        disponível em: https://www.who.int/publications/m/item/weekly-epidemiological-update-on-covid-19—– 2-november-2021.

DETECÇÃO DA VARIANTE DE MONITORAMENTO B.1.1.259 NO BRASIL                                                                                                                     

Até o presente momento, nenhum caso da Variante B.1.1.259 foi identificado no Brasil. Contudo, estar vigilante é fundamental, a partir de mudanças epidemiológicas ou resposta vacinal pelas unidades CIEVS locais e CIEVS Nacional acompanhando a incidência nos países.

AÇÕES TOMADAS NO BRASIL                                                                                                                     

Desde a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 30 de janeiro de 2020, em decorrência da infecção humana pelo coronavírus SARS-CoV-2 (Covid-19) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê recomendações de medidas excepcionais e temporárias para entrada no País, por motivos sanitários relacionados com os riscos de contaminação e disseminação Covid-19 considerando o cenário epidemiológico das novas variantes do SARS-CoV-2.

Existem quatro variantes de preocupação (VOC) reconhecidas pela OMS, desta forma foram estabelecidas recomendações de medidas sanitárias excepcionais e temporárias para entrada no País direcionadas à estrangeiros de qualquer nacionalidade por rodovias, por outros meios terrestres ou por transporte aquaviário conforme estabelecido na Portaria nº 658, de 05 de outubro de 20211.

Além das medidas excepcionais e temporárias para entrada no país foram definidas as seguintes ações:

  1. Ações primárias por um Estado Membro, se uma nova potencial VOI for identificada:
    1. Informar a OMS por meio dos canais de notificação estabelecidos no Escritório Regional ou Nacional da OMS com informações de apoio sobre casos associados a VOI (pessoa, local, horário, clínica e outras características relevantes).
    1. Envio de sequências completas do genoma e metadados associados a um banco de dados disponível publicamente, como o GISAID.

1 BRASIL. Presidência da República Casa Civil. Portaria nº 658, de 08 de outubro de 2021. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Portaria/PRT/Portaria-658-21-ccv.htm

  • Realizar investigações de campo para melhorar a compreensão dos impactos potenciais da VOI na epidemiologia do Covid-19, gravidade, eficácia da saúde pública e medidas sociais ou outras características relevantes.
    • Realizar avaliações laboratoriais de acordo com a capacidade ou entrar em contato com a OMS para obter apoio para conduzir avaliações laboratoriais sobre o impacto da VOI em tópicos relevantes.

2.     Ações primárias da OMS para uma VOI potencial

  • Avaliação comparativa das características variantes e riscos para a saúde pública pela OMS.
    • Se for considerado necessário, investigações laboratoriais coordenadas com os Estados-Membros e parceiros.
    • Revise a epidemiologia global do VOI.
    • Monitore e rastreie a disseminação global de VOI.

3.     Notificação de eventos de saúde pública

A identificação do caso suspeito de novas variantes de SARS-CoV-2, em virtude das características clínicas da doença, deve ser notificada por profissional ou serviço de saúde (público ou privado), por meio do preenchimento da Ficha de notificação e investigação de Síndrome Gripal (SG) e o envio à vigilância epidemiológica local, conforme o fluxo de notificação e atendendo a Portaria nº 1.061/2021, e o registrado no Sistema de Informação E-sus Notifica.

Na ausência de área técnica responsável especificamente pela vigilância da Covid-19 nas Secretarias de Saúde dos Estados, Municípios, Distrito Federal, os casos suspeitos deverão ser informados ao Cievs locais e nacional. A notificação é imediata considerando um evento inusitado pela Portaria de Consolidação nº 04/2017, atualizada pela Portaria nº 1.061/2020, desta forma é obrigatória a notificação pelos profissionais de saúde nos canais de comunicações do Ministério da Saúde, seja no Formulário de notificação imediata de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública: https://forms.office.com/r/BGwZjYz9Mu ou pelo e-mail do notifica@saude.gov.br e com cópia para à GT-COVID-19 pelo e-mail: gripe@saude.gov.br .

4.     Investigação

A investigação dos casos suspeitos de Covid-19 oriundos de países com circulação de VOI/VOC devem seguir os fluxos preconizados pelas vigilâncias locais, bem como contemplar criteriosamente os seguintes passos:

  1. Monitoramento de viajantes com sinais e sintomas declarados por pelo menos 14 dias;
  2. Monitoramento de viajantes assintomáticos pelo menos por 7 dias, ou novo resultado de antígeno ou RT-PCR negativo/não detectável ou por 10 dias, sem apresentação de sinais ou sintomas, conforme o Guia de vigilância epidemiológica Covid-19 do Ministério da Saúde.
  3. Procedimentos para a investigação epidemiológica: Devem ser considerados alguns fatores importantes relacionados a potencial circulação de VOC /VOI:
    1. Viagens ao exterior, em especial a países com histórico de casos /isolados nas últimas 4 semanas.
    1. Existência de casos semelhantes na família, em parentes de primeiro grau, para a forma familial.
    1. Alteração de padrão de transmissibilidade.
    1. A intensificação de vigilância epidemiológica na investigação de casos suspeitos e reforço do monitoramento de casos e contatos, além do processo de notificação imediata junto aos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) locais e nacional conforme previsto na Portaria nº 1.061/2020.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE                                                                                                        

As medidas de prevenção e controle para SARS-CoV-2 (Covid-19) continuam as mesmas direcionadas pelo Ministério da Saúde (MS) descritas no Guia de Vigilância Epidemiológica | Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional pela Doença pelo Coronavírus 2019 para a população, profissionais de saúde e vigilâncias.

Entre as medidas indicadas pelo MS, estão as não farmacológicas, como distanciamento social, etiqueta respiratória e de higienização das mãos, uso de máscaras, limpeza e desinfeção de ambientes e isolamento de casos suspeitos e confirmados conforme orientações médicas. Estas

medidas devem ser utilizadas de forma integrada, a fim de controlar a transmissão da Covid-19 e suas variantes, permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos vários setores e o retorno seguro do convívio social.

Medidas de vigilância epidemiológica:

  • realizar uma sequência direcionada e representativa de casos comunitários para detectar precocemente e monitorizar a incidência da variante;
  • aumentar o acompanhamento e os testes de pessoas com uma ligação epidemiológica a áreas com uma incidência significativamente mais elevada incidência da variante e à sequência de amostras de tais casos;
  • para melhorar o rastreio de contatos direcionados e o isolamento de casos suspeitos e confirmados da variante;
  • alertar as pessoas provenientes de áreas com uma incidência significativamente mais elevada da variante para a necessidade de cumprir com quarentena, bem como ser testado e autoisolado se desenvolverem sintomas;
  • recomendar que se evitem todas as viagens não essenciais, em particular para áreas com uma incidência significativamente mais elevada de a variante.
  • notificar possíveis casos de infecção com a nova cepa variante ou variantes em circulação para SARS-CoV-2 de forma imediata pelo formulário de notificação imediata do MS, disponível em: https://forms.office.com/r/BGwZjYz9Mu , bem como junto aos CIEVS locais.

No dia 26 de novembro de 2021, a vacinação no Brasil alcançou 308.852.079 doses aplicadas, sendo 158.591.079 para 1ª dose, 136.151.255 com esquema vacinal completo (2ª dose e única) e dose de reforço 13.510.057. Embora a curto-médio prazo, a vacinação irá provavelmente contribuir para a resposta, as medidas não farmacológicas continuam sendo essenciais até que as vacinas estejam disponíveis em número suficiente e demonstrem ter um efeito atenuante.

 REFERÊNCIAS