Chikungunya, dengue e zika podem provocar aborto e deixar sequelas

Especialista alerta para o aumento do número de casos das chamadas arboviroses em Alagoas

As chamadas arboviroses, dengue, zika e chikungunya – doenças que podem ser transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti – são risco para as gestantes. Elas podem provocar aborto e sequelas até neurológicas, situação que se agrava, já que muitas pessoas desenvolvem a forma leve ou assintomática, e isso pode retardar os cuidados.

Em Alagoas, de janeiro a 7 de junho deste ano, quatro gestantes foram diagnosticadas com zika vírus em Alagoas – doença que pode provocar microcefalia em bebês e outras alterações neurológicas. O número de gestantes com a doença atualmente é bem menor que em 2016, mas a situação ainda exige cuidados.

“Essas arboviroses podem causar problemas graves, na gestante e no bebê, como é o caso da zika. No caso da chikungunya é grave também, pode passar para o bebê durante a gestação ou durante o parto. Ela pode ser um agravante no caso de pessoas hipertensas, por exemplo. Ou seja, se estiver grávida procurar logo o médico”, explica o infectologista Reneé Oliveira.

O médico esclarece que houve um crescimento do número de casos de dengue, zika e chikungunya, principalmente em decorrência “dessa época do ano, quando há de fato a proliferação do mosquito. A verdade é que a gente não conseguiu controlar o vetor, que é o Aedes. Temos uma lista grande de arboviroses, que sofrer influência direta da intervenção do homem na natureza, mudando o ritmo das chuvas, por exemplo. E isso influencia”, acrescenta Reneé Oliveira.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, mostram que de janeiro a maio de 2021 foram registrados 91 casos e nenhum óbito por chikungunya. No mesmo período, este ano, foram 1.503 notificações e uma morte. Um aumento de 1.500%.

Em relação ao diagnóstico de zika em gestantes, de janeiro até 7 de junho de 2022 foram contabilizados 4 casos e no ano passado, no mesmo período, foram 9. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 504 óbitos por dengue no país, sendo 439 por critério laboratorial e 65 por critério clínico epidemiológico.

Os estados que apresentaram o maior número de óbitos foram: São Paulo (180), Santa Catarina (60), Rio Grande do Sul (49), Goiás (44) e Paraná (43). Permanecem em investigação outros 364 óbitos. Sobre a chikungunya, foram confirmados 19 óbitos nos estados: Ceará (14), Paraíba (2), Maranhão (1), Pernambuco (1), Alagoas (1). Ressaltase que 40 óbitos estão em investigação no País. E em relação à zika, de acordo com o boletim do MS, não foram notificados óbitos no país.

O boletim do Ministério da Saúde mostra que a incidência de chikungunya em Alagoas superou a média nacional, com 52,5 casos por cem mil habitantes. O último levantamento publicado pelo MS aponta que ocorreram 108,7 mil no país, que registra a taxa 51 casos por 100 mil hab. Em comparação com o ano de 2019, houve aumento de 35,2% e quando comparado com o ano de 2021, foi de 95,7%.

Fonte: GazetaWeb