Governo de Alagoas tem a segunda pior nota do País no enfrentamento científico da Covid, diz Ipea

Estudo revela que o Estado recebeu nota 3.2, numa escala que variava no intervalo de -6 a 10

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o enfrentamento científico da pandemia da Covid-19 no Brasil revela que o Governo de Alagoas teve a segunda pior nota entre as 27 unidades da federação.

De acordo com o documento — intitulado Ciência e Pseudociência Durante a Pandemia de Covid-19: o Papel dos “Intermediários do Conhecimento” nas Políticas dos Governos Estaduais no Brasil —, o Estado recebeu nota 3.2, numa escala que variava entre escala de -6 a 10.

O governo de Alagoas só não foi pior do que o Amapá, que recebeu nota 3, a menor do País. Na outra ponta, os estados da Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo receberam nota máxima.

De acordo com o Ipea, o indicador mediu a tempestividade de cada estado ao criar ou mobilizar um arranjo de enfrentamento à pandemia, a precisão e abrangência de suas funções, a participação de especialistas, a interdisciplinaridade, a transparência, e a influência sobre a tomada de decisões.

Entre as seis variáveis, o governo alagoano só recebeu nota máxima em duas delas: tempestividade e participação de especialistas. Já em escopo abrangente e preciso e interdisciplinaridade, o Estado recebeu nota 1 — numa escala de zero a dois. No quesito transparência e influência, o governo de Alagoas recebeu nota zero.

Além dessas seis variáveis, o indicador teve outras três, avaliando se os estados recomendaram ou adotaram alguma política sem base em evidências científicas. Alagoas recebeu nota -1, numa escala de -6 a zero. O zero significando que não foram adotadas medidas não-científicas.

Nesta variante, apenas 12 estados não adotaram medidas não-científicas: Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Goiás, Paraná, Sergipe, Piauí e Tocantins.

O Ipea revela que além de terem evitado medidas não-científicas, esses Estados criaram rapidamente comitês de especialistas com influência sobre as políticas adotadas pelo Executivo.

Em Alagoas, em vez de um comitê, foi criado, no dia 5 de fevereiro do ano passado, o Grupo Técnico Operacional de Emergência para Vigilância do Coronavírus. Entretanto, o estudo destaca que não se observou um papel influente desse grupo.

“Embora não haja muita clareza sobre o papel do comitê de Alagoas, ele é interno à Secretaria de Saúde, a qual foi a principal formuladora do Plano de Distanciamento Social do Estado”, ressalta o estudo.

“É possível que o comitê tenha tido uma participação importante neste processo, mas não se encontraram evidências e, portanto, atribuiu-se um valor de 0 às variáveis transparência e influência”, justifica.

O documento ressalta também que não foram encontradas atas de reuniões ou informações sobre as deliberações dos comitês de Alagoas, Amapá, Mato Grosso e Roraima. Ao se considerar o Brasil como um todo, este também foi um ponto relativamente deficiente, observando-se uma média de 1,3.

Fonte: GazetaWeb